No ano passado publiquei aqui que “GEO não existe”. Mantenho a parte principal: para aparecer nas respostas de IA, o trabalho continua sendo SEO. O que mudou na minha forma de dizer isso é o peso que dou a uma parte do SEO que muita empresa pequena esquece: deixar claro, para quem lê e para as máquinas, quem é a empresa, o que ela vende e por quanto. Por isso reescrevi o texto.

O que o Google diz sobre GEO
O guia do Google para recursos de IA generativa na Pesquisa responde direto: do ponto de vista do Google, otimizar para a busca com IA é otimizar para a experiência de busca, e portanto continua sendo SEO. “AEO” e “GEO” aparecem lá como nomes usados para esse trabalho, e o guia recomenda avaliar com cuidado quem vende esses serviços.
O motivo é técnico. Segundo o mesmo guia, AI Overviews e o Modo IA se apoiam nos sistemas de ranqueamento da busca: buscam páginas no índice do Google (o que o guia chama de grounding) e disparam várias buscas relacionadas ao mesmo tempo, o query fan-out, que já explicamos neste post. Para ser usada numa resposta, a página precisa estar indexada e apta a aparecer na busca com snippet.
Antes do guia, em julho de 2025, Gary Illyes e John Mueller, do Google, já tinham dito que para aparecer nas AI Overviews bastam as práticas normais de SEO.
O que você pode ignorar
O guia lista o que não é necessário para a busca do Google:
- arquivo llms.txt ou outra marcação “especial” para IA (o Google não usa; ter o arquivo não ajuda nem atrapalha);
- picotar o conteúdo em blocos pequenos;
- reescrever textos só para a IA, ou caçar todas as variações de palavra-chave;
- buscar menções artificiais da marca pela internet;
- exagerar nos dados estruturados: não existe schema especial para IA.
O que faz diferença: SEO bem feito
O mesmo guia diz o que vale a pena:
- Conteúdo que só você pode escrever. Experiência própria e ponto de vista, em vez de resumo do que já está em outros sites. O guia chama o contrário de conteúdo “commodity”.
- Texto organizado para pessoas, com seções e títulos claros, e imagens e vídeos quando fizerem sentido.
- Base técnica: páginas rastreáveis e indexáveis, boa experiência no celular, pouco conteúdo duplicado.
- Dados do negócio: perfil da empresa no Google e, no comércio, o Merchant Center, porque as respostas de IA podem mostrar informações de empresas locais e produtos.
Dados de entidade: a parte que empresa pequena esquece
Quando alguém pergunta a uma IA “quem faz manutenção de WordPress no Brasil”, a resposta cita empresas. Para citar a sua, o sistema precisa entender quem você é. Isso começa no texto: uma página “Sobre” com nome, cidade, ano de fundação e o que a empresa faz, e páginas de serviço que digam o que está incluído e por quanto, em vez de só “solicite um orçamento”.
Os dados estruturados reforçam isso. A documentação do Google sobre o schema Organization diz que ele ajuda o Google a entender os dados administrativos da empresa e a diferenciá-la de outras nos resultados, e recomenda colocá-lo na home ou na página “Sobre”, com nome, logo, endereço, contato e identificadores como CNPJ. Não é requisito para a busca com IA, como o guia deixa claro, mas é SEO básico que muito site não tem.
Como medir
O Google recomenda o relatório de desempenho em IA generativa do Search Console para ver como o conteúdo aparece nesses recursos, e pede cuidado com ferramentas que prometem ranking ou dizem ter métricas internas do Google: nenhuma tem. Na Amicatek, além do Search Console, acompanhamos em quais respostas de IA uma marca aparece, com perguntas fixas repetidas ao longo do tempo. É o serviço que chamamos de Visibilidade em IA.
Resumo
GEO não é uma disciplina à parte. É SEO feito com cuidado: conteúdo próprio, site tecnicamente limpo e informação clara sobre a empresa, no texto e nos dados estruturados. Se quiser saber como o seu site está nesses pontos, peça um diagnóstico ou veja como trabalhamos com WordPress na era da IA.